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MONSTERS TOUR: Motörhead, Judas Priest e Ozzy Osbourne na Pedreira Paulo Leminski

OZZY7

Rolou na terça-feira 28 de abril, na nossa amada Pedreira Paulo Leminski, o Monsters Tour 2015. O festival trouxe à Curitiba três dos pilares de todo o rock pesado e heavy metal que conhecemos: Motörhead, Judas Priest e Ozzy Osbourne. O evento é uma “subdivisão” do Monsters of Rock, festival criado na Inglaterra em 1980 e que este ano marcou sua sexta edição no Brasil. Segundo a organização do evento, o público total girou em torno das 15 mil pessoas, assim como o show do Kiss, uma semana antes.

A organização foi perfeita, pareque que está cada vez melhor. A única reclamação que pude ouvir foi sobre a péssima qualidade da cerveja vendida (que era patrocinadora do evento). Não faltaram pessoas bebendo enquanto repetiam o mantra: “Eu não tenho escolha, senhor”! Mas na parte musica, tudo correu bem e também ouvi muitos elogios à qualidade do som, muito superior ao que pôde ser escutado no show do Kiss.

Motörhead

LEMMY2

Todos estavam apreensivos e ansiosos pela apresentação do power trio mais bastardo de todos os tempos, o Motörhead. E não era para menos, afinal a apresentação da banda foi cancelada três dias antes, no Monsters of Rock, o que fez com que muitas pessoas só acreditassem que o Motörhead realmente tocaria, na hora em que pisaram no palco. Mas eles pisaram. Assim que Phil Campbell e Mickey Dee tomaram sua posições, Lemmy foi ao centro do palco e tudo veio abaixo, já nos primeiros acordes de “Shoot You in the Back”, uma paulada inicial de respeito. Nada se pode falar do estado físico do velho Lemmy, afinal, quem com 70 anos de idade, estaria naquele palco desempenhando tão bem sua função? Em seguida uma trinca matadora do disco “Overkill”: “Damage Case”, “Stay Clean” e “Metropolis”. Na sequência, os dicos mais tocados foram o “Ace of Spades” e o mais recente, “Aftershock”, ambos com três músicas no repertório. O restante foram múscas pinçadas de seus discos lançados até 1992. Após a música “Over the Top”,  Phil Campbell fez seu solo, que apesar de pouca técnica, transborda feeling e bom gosto. Mickey Dee é um monstro nos tambores e não fez por menos. O batera, que também canta e toca guitarra, é um dos criadores de grande parte dos riffs da banda desde que entrou, mas é na bateria que ele realmente impressiona. O show foi um pouco mais tranquilo do que costuma ser, mas há se se ententer o motivo. Para fechar o set, os dois maiores clássicos que o Motörhead já produziu: “Ace of Spades” e “Overkill”. A apresentação durou cerca de uma hora e dez minutos.

Sorte de quem pôde ver a banda em Curitiba, porque milhares de fãs ficaram a ver navios no Monsters of Rock, com o anúncio do concelamento do Motörhead devido aos tais “problemas estomacais” do vocalista e tiveram que se contentar com o guitarrista e o baterista da banda se unindo a três membros do Sepultura: Derrick, Paulo e Andreas, para tocar da forma que desse, três músicas. O resultado, por mais bem intencionado que tenha sido, foi sofrível e decepcionante. Felizmente, em Curitiba, tudo isso foi apagado.

Após o show, fiou aquela dúvida no ar: Será que veremos o Motörhead em território brasileiro novamente?

Setlist:  Shoot You in the Back / Damage Case / Stay Clean / Metropolis / Over the Top / Chase is Better than the Cash / Rock It / Do You Believe / Lost Woman Blues / Doctor Rock / Power / Going to Brazil / Ace of Spades / Overkill

Judas Priest

HALFORD8

O Judas Priest é a banda que melhor traduz em seu som e imagem o que chamamos de heavy metal. Seus shows são sempre matadores e desta vez não foi diferente. Halford comandou a multidão durante todo o show e se mostrou em grande forma, cantando magistralmente todos os seus clássicos. Glen Tipton, que além de líder, sempre foi o guitarrista solo da banda, agora se permite ficar mais nas bases, deixando todos os malabarismos para Ritchie Faulkner, que ocupou o espaço deixado por K.K. Downing, antigo guitarrista da banda. Faulkner  é um animal nas seis cordas e sola muito bem – O velho Tipton sabe das coisas.

Apenas três músicas no mais recente lançamento da banda, Redeemer of Souls (2014) foram tocadas: “Dragonault”, a faixa-título – que lembra os momentos mais porrada dos últimos registros – e “Halls of Valhalla”, justamente as três primeiras do disco. Mas o destaque fica com Halls of Valhalla, que tem uma pegada grandiosa, de clássico mesmo – inclusive com seu refrão grudento – e soa muito bem ao vivo.

Um dos momentos mais marcantes  foi em “Hell Bent for Leather”, quando Halford invade o palco montado em uma Harley Davidson. Mas mesmo clássicos do calibre de “Jawbreaker” e “The Hellion/Eletric Eye” não superaram a música mais conhecida que o Padre Judas já produziu: “Breaking the Law”. Impressionante como esta música, por mais manjada que seja, é capaz de causar momentos de insanidade.

O final do show só poderia ser anunciado com uma música, “Painkiller”. Nem é preciso dizer que os fãs enlouqueceram de vez, já durante a destruidora intro de bateria perpetrada pelo grande Scott Travis. Para fechar a aula de heavy metal, a clássica “Living After Midnight”, anunciada por sua característica levada de bateria e fazendo todos cantarem em uníssono.

Setlist: Battle cry – Intro / Dragonault / Metal Gods / Devil’s Child / Victim of Changes / Halls of Valhalla / Turbolover / Redeemer of Souls / Jawbreaker / Breaking the Law / Hell Bent For Leather / The Hellion/Eletric Eye / Painkiller / Living After Midnight

Ozzy Osbourne

Pouco antes do início do show do Ozzy, uma chuva fina começou a cair, mas não atrapalhou em nada a apresentação do famigerado Príncipe das Trevas, que iniciou o show com “Bark at the Moon”. Mas o show explodiu mesmo na segunda música, “Mr. Crowley”, uma das mais clássicas de Ozzy. O público foi ao delírio em segundos. Essa música marcou de verdade a carreeira do Madman e trás à mente dos fãs a lembrança do velho Randy Rhoads, finado guitarrista de Ozzy, que é adorado por multidões até hoje.

As músicas “Shot in the Dark”, “Suicide Solution” e “Crazy Train” foram os grandes destaques da carreira solo tocadas pelo vocalista e seus asseclas. O guitarrista grego Gus G, que acompanha Ozzy há cerca de seis anos, se mostrou muito à vontade durante todo o show, mesmo não tendo tocado nenhuma faixa do  ábum “Scream” (2010), único que conta com composições suas. O guitarrista é muito bom e tem muita influência do velho Randy, mas durante seu solo foi meio massante, devido à velocidade e quantidade de notas tocadas. Uma fritação desenfreada, que já não impressiona mais ninguém. Já o baterista, Tommy Clufetos, que inclusive comandou as baquetas na recente turnê do Black Sabbath, se mostrou uma incarnação do velho Bill Ward – inclusive no visual – só que com muito mais técnica e versatilidade.

Apesar de ser um grande registro da formação original do Black Sabbath, a música instrumental “Rat Salad”,  poderia ter dado lugar a muitas outras que fizeram falta. Tudo bem que é o momento onde os músicos da banda – que por sinal são excepcionais, com destaque para o baterista Tommy Clufetos – têm liberdade para mostrar seu potencial, mas não é isso que o público realmente quer ver num show como esse, todos querem ver os grandes clássicos. Entre as músicas do Sabbath, destaque para “War Pigs” e “Fairies Wear Boots”, ambas do disco “Paranoid”, que teve sua faixa-título como “encore” do show.

Duas músicas da carreira solo de Ozzy foram cortadas do setlist programado para o show: “Fire in the Sky” e “Mama, I’m Coming Home”, sem motivo aparente. Mesmo assim, o set foi bom o suficiente para satifazer até os fãs mais casca-grossas.

Setlist: Bark at the Moon / Mr. Crowley / I Don’t Know / Fairies Wear Boots / Suicide Solution / Road to Nowhere / War Pigs / Shot in the Dark / Rat Salad / Iron Man / I Don’t Want to Change the World / Crazy Train / Paranoid

Saldo final

Não há o que dizer de ruim sobre um evento como este, que troxe ao mesmo tempo três das maiores bandas de todos os tempos a um espaço que só Curitiba tem. As três bandas tocaram um repertório mais lento, calmo e menos recheado de megaclássicos, como costumam fazer. Os sets pareceram criados para um público que já viu as bandas muitas vezes e quer novidade. Mas o rock rolou como deveria e todos saíram de lá com sorrisos estampados em seus rostos, com a certeza de terem presenciado o maior festival de heavy metal que Curitiba já acolheu.

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