No Banner to display

Notícias
MARKY RAMONE’S BLITZKRIEG: Entrevista com Michale Graves

Durante sua passagem pelo Brasil com o Marky Ramone’s Blitzkrieg, o ex vocalista do Misfits, Michale Graves, concedeu uma entrevista, onde contou sobre seus planos para o futuro, sua carreira solo, seu novo CD – Vagabond – que está para ser lançado, e muito mais. Confira abaixo a entrevista na íntegra:

Vamos começar falando sobre o seu próximo álbum, Vagabond, que será gravado em breve. O que já foi feito até agora, e como está o processo de composição?

Vagabond é meu novo CD, e é uma edição limitada que sairá através do Kickstarter. Até agora são onze músicas, todas totalmente novas, nunca gravadas antes. A razão pela qual eu escolhi o fazer com o Kickstarter é que essa plataforma realmente ajuda a fazer a ponte entre meus fãs e eu,  e assim podemos fazer o CD juntos, o que é um processo realmente muito interessante de se fazer. O material que estará nas gravações de Vagabond é muito importante e especial, por que é a combinação de todos esses anos em que eu venho fazendo shows acústicos, tocando com o Blitzkrieg… É um disco que reflete exatamente o que eu sou pessoal e profissionalmente. O álbum sai em março, e com ele virá uma grande tour pela América, e também estamos tentando trazê-la para a América do Sul para fazermos alguns shows no ano que vem.

 

Já que estamos falando sobre álbuns, fale um pouco sobre o Illusions. Como você conheceu Damien Echols, e como veio a ideia de fazer esse projeto com ele?

Eu ganhei de presente de natal uma cópia dos filmes “Paradise Lost”, e eu nunca os tinha assistido. Era um período muito difícil, vazio e triste da minha vida, e eu estava muito perdido. Então assisti os flimes e, como qualquer outra pessoa que assistiu, fiquei zangado, triste, e com uma vontade de fazer alguma coisa, porque é tão óbvio que a justiça Americana foi totalmente culpada ao colocar aqueles 3 rapazes  na prisão e colocar Damien no corredor da morte. Então eu peguei meu computador, entrei no site do Damien, e vi que ele tinha acabado de escrever um livro. Eu queria poder fazer algo, então procurei pela mulher dele, Laurie, e queria ajudá-la; eu gostaria de levar o livro de Damien nas tours comigo e contar ao máximo de pessoas possível sobre a história dele, tentar alavancar as vendas do livro, e deixar as pessoas sabendo da história dele. O livro dele se chama “Almost Home”, então eu comecei uma campanha com esse nome. A partir daí, houve uma explosão de controvérsias, páginas surgiam no Myspace, Facebook… Eu comecei a escrever para Damien na prisão e nós começamos a enviar cartas um para o outro, e ele é um sujeito muito, muito, muito criativo, um artista por natureza. Então nós começamos a conversar sobre fazer algo juntos. Ele escreve muitas poesias, muitas poesias lindas, e a ideia original era eu fazer as músicas e ele declamar as poesias comigo tocando ao fundo. Então um dia Damien escreveu pra mim e disse “eu acho que escrevi uma música”. E se chamava Frost Bite, então ele me mandou as letras para Frost Bite e disse que estava pensando em uma caverna, me disse sobre as músicas que ouvia na cabeça dele, sobre como a música poderia ser e então eu deveria, a partir disso, começar a escrever música para elas, então foi assim que Illusions passou a existir, ele cresceu do desejo de criar algo juntos daquela forma. E nunca mais nem falei com Damien desde que ele saiu da prisão, no ano passado.

E  é o tipo de experiência que o transforma, não?

Com certeza! Eu sou uma pessoa diferente hoje por causa de toda aquela experiência, de verdade. Desde que eu entrei nisso, passei um grande tempo me correspondendo com o Damien, e entrei em todo o movimento do West Memphis Tree. Eu passei bastante tempo no Arkansas, Mississippi, Tennessee, e em todo o sul. Aquilo me transformou não só como pessoa, mas tabém musicalmente, por que o sul é onde o Rock and Roll americano nasceu. Então eu me imergi na cultura e virei um músico diferente, e uma pessoa diferente.

Esta é a segunda vez que você está no Brasil para shows com o Marky Ramone’s Blitzkrieg. Fale sobre suas experiências aqui, e sua relação com o público brasileiro. 

O público brasileiro é incrível. Muito apaixonado. Obviamente  ama o Ramones, ama o Misfits. Então, vir para cá é sempre muito, muito excitante por que você sabe que você vai andar pelo palco, Marky e todo mundo vai à loucura, todo mundo sabe as letras, as músicas, e cantam cada pedacinho do show. Graças a Deus eu fui abençoado com a habilidade e o dom de sentir a energia, reagir e responder à essa energia. Então quando eu entro em um lugar para tocar no Brasil, ou quando vamos pra Argentina, e aquela enorme quantidade de energia é lançada em nós, isso me faz sentir muito poderoso e habilidoso, eu acho que por isso me sinto confiante em pular tão alto no palco, por que há tanta energia, e eu sou abençoado por poder vir pra cá fazer música e ter essa experiência.

E vocês voltam em janeiro, certo?

Sim, vamos voltar em Janeiro. E vou falar mais uma coisa, quando eu estava com o Misfits, a primeira vez que eles vieram pra América do Sul, eu não estava na tour. E a partir daí começaram um monte de rumores terríveis, que eu apaguei na primeira vez aqui com Marky. E alguns desses rumores eram que eu não queria vir por que eu não gostava do povo Sul-Americano, que eu pensava que eles eram sujos, que eu iria pegar doenças, e acabou virando um boato no qual as pessoas realmente acreditaram, o que é triste e terrível. Então nada disso era verdade, de jeito nenhum, e eu estou feliz em saber que tenho uma relação com todos vocês e seu país da forma que eu tenho.

Recentemente você voltou a ter uma banda para shows elétricos. Você tem planos de vir para o Brasil com ela? Fale também um pouco sobre a banda.

Sim, nada definido por enquanto, mas com certeza estou muito interessado em vir pra cá com aqueles caras. Eles são Chibo (Chibo Jones), que vem tocando guitarra comigo praticamente toda minha vida; nós tivemos nossa primeira banda juntos. Johnny B Morbid, o baixista; e Tony Baptist, na bateria. Os dois últimos são rapazes novos, e muito talentosos. Eles vão gravar Vagabond comigo também. E sim, definitivamente eu quero trazê-los pra cá e “arrebentar”!

 

Michale Graves Band (Chibo Jones, Michale Graves, Johnny B. Morbid e Tony Baptist)

Fale sobre a fase atual da sua carreira, já que depois de uma extensa carreira solo, você tem seus próprios fãs, e não somente os do Misfits.

Bom, eu continuo usando a maquiagem as vezes, quando vou à alguns eventos de horror na América, e me maquio. Só uma coisa, para deixar claro, é que não sou eu que não quero tocar com Jerry, Doyle e Chud. Não eu. Eles sabem que bastaria um telefonema e umas conversas. A melhor coisa a fazer seria conversar com Jerry, ele é o que não está interessado. E Doyle, até um certo ponto. Eu percebo o quanto todos amam o personagem do espantalho, e aquela música, portanto, em 2013 eu vou iniciar um projeto e trazer meu personagem de volta, e vou fazer horror music de novo com minha banda, cheia de monstros. Então todos podem aguardar por isso! Eu vou voltar a usar a maquiagem, e será um projeto diferente do Vagabond. Tenho também  meus trabalhos solo, e também o Blitzkrieg…

E quando você entrou no Misfits, você reinventou a banda, trouxe um novo estilo à ela. Tanto que muitos fãs conhecem o Misfits pelo seu trabalho, e as vezes nem conhecem o Misfits antigo. Eles realmente amam você na banda.

Eu soube logo que entrei na banda e realmente estava avisado do que eu estava entrando, por que o único jeito para nós termos sucesso, seria reinventando a banda enquanto se mantinha fiel ao legado, e ao modo que Glenn Danzig queria que as coisas fossem. E agora era um difícil obstáculo, eu entrei naquele projeto novo e vindo de uma diferente geração, então sim, sou orgulhoso do que eu fiz com o American Psycho e o Famous Monsters, e eu realmente desejaria que Jerry Only tivesse uma perspectiva diferente, e Doyle também. Eu acho que, Chud, você sabe, eu não quero falar por ninguém, mas tenho certeza de que Chud tem uma perspectiva parecida com a minha; vamos apenas nos juntar e tocar novamente. Você sabe, eu desejo que o Jerry e o Doyle sigam seus sonhos na música, assim como eu estou tentando. Eu não posso mudar a mente das pessoas. O Misfits é uma parte enorme da minha vida, e eu nunca vou me separar disso!

Você não se importa com isso né?

De forma alguma, eu me sinto honrado! Eu amo autografar, você sabe, as pessoas sempre trazem o Famous Monsters, American Psycho, e é ótimo, de verdade!

E você ouviu o novo álbum do Misfits, “The Devil’s Rain”?

Sim, com certeza, por que eu sabia que me perguntariam sobre isso, e eu não queria falar sobre algo que eu não tivesse ouvido, então sim, eu o ouvi algumas vezes.

E qual sua opinião sobre ele?

Bom, se eu não tivesse ligação nenhuma com a banda, esse não seria o tipo de música que eu ouviria. Isso não significa necessariamente que é ruim. Para mim foi ruim por que, obviamente, sei como… Sei do que eu, Jerry, Doyle e Chud somos capazes de fazer quando estamos juntos como o Misfits. Minha opinião é que é medíocre comparado ao potencial do Misfits. O Misfits, como todo mundo sabe, é tão grande…

Como uma cultura, não?

Sim. Eu acho isso ruim, é frustrante por que eu sou um compositor, um escritor e eu escrevo música, e eu sei que… eu sei a forma que Jerry escreve, e ele entende do que faz, assim como eu entendo, Doyle e Chud. Então eu ouço as músicas, e eu ouço o potencial do que poderia ter sido e o que eu poderia ter feito com para torná-lo melhor. Portanto é difícil para mim ter uma visão externa do CD. Você sabe, eu não estou nele. Eu não quero dizer quão ruim são as músicas, mas, você ouve esse álbum e ele não te leva à lugar algum, não te faz sentir nada, não tem algo que toque minha alma, e isso é totalmente o oposto do “American Psycho” ou “Famous Monsters”. Apesar de ser muito altos e agressivos, há sempre um elemento nele que é muito bonito, e há uma alma neles, e algo que as pessoas ouvem àquelas músicas e dizem “wow, isso é como minha vida, e por algum motivo, ele faz sentido para mim, eu o entendo”. E essa é a mágica na música, esse é o elemento que eu trouxe à banda, e que trago à tudo que faço, que trago para o Marky, você sabe, nas músicas do Ramones. O mesmo com o Misfits, e é claro, minha carreira solo. É esse tipo de sentimento que quero dizer, e “The Devil’s Rain” simplesmente não tem isso para mim.

O que você pensa sobre a indústria da música atualmente, as novas formas de trabalhar, o crowfunding…

Bom, as gravadoras definitivamente estão abaladas, e esse “terremoto” está obrigando as pessoas a acharem novas formas de seguirem em frente. A indústria da música mudou dramaticamente desde que eu comecei profissionalmente, em 1995. É claro que há um caminho alternativo. Devido à forma que as gravadoras estão agora, elas mudaram muito por causa da tecnologia, mas isso por um lado, põe mais força na mão do artista. Pensando em mim como exemplo, com o Vagabond sendo feito com a plataforma Kickstarter; com os fãs, nós não precisamos de gravadora. Eu consegui arrecadar 35.000 dólares com o crowdfunding, isso veio de cada fã dizendo “sim, eu amo você, amo sua música, eu acredito no projeto e lá vamos nós, vamos fazer isso juntos”. Então, em vez de só pensarmos pelo ponto de vista que as gravadoras ruíram, e ver isso como algo ruim, tente olhar pelo lado positivo, de que assim, os artistas, os fãs e as gravadoras, são obrigados a pensar em formas pioneiras de reestruturar as coisas e seguir em frente. E eu continuo pensando que o Kickstarter é o exemplo perfeito disso! Então eu fico feliz que a indústria da música tenha mudado, assim está criando mais oportunidades!

E o que você tem ouvido ultimamente?

Eu ouço pelo menos uma vez por dia – bom, eu perdi meu iPod antes de vir pra América do Sul, então não ouvi nada nas últimas 48 horas – mas eu amo os dois últimos álbuns do Megadeth, “Thirteen” e “Endgame”. Eu ouço esses dois álbuns o tempo todo. Eu tenho ouvido também o primeiro álbum do Living End, é um ótimo album. Eu ouço David Bowie, tenho ouvido o “Sacrament”, do Lamb of God… E mais uma vez, os dois últimos do Megadeth, Endgame e Thirteen não saem da minha cabeça!

É uma boa mistura do que é velho e o que é novo, não?

Sim, sim, as pessoas me perguntam sobre meu gosto musical, e vai de um espectro ao outro!

E bandas de horror punk, há alguma banda nova que você tem ouvido?

Eu não as conheço, pra ser sincere! Não conheço nenhuma. E é uma coisa frustrante, por que eu espero, com tudo o que faço, ser um exemplo para outros músicos que tem bandas de horror punk. Eles só precisavam parar de cantar sempre com os mesmos padrões, parar de escrever músicas sobre Frankenstein e fantasmas, é sempre a mesma coisa… E parar também de procurar vocalistas que soem como Glenn Danzig. Eu nem consigo dizer quantas bandas eu já vi que tem uma imagem legal, mas quando tocam, não soam como nada. É a mesma coisa que disse sobre o The Devil’s Rain, não há alma, não há nada real. É preciso ter pensamentos criativos e pensar fora do comum! Eu espero servir de exemplo, ou continuar servindo como exemplo, mas eu não consigo pensar em alguma banda nova pela qual eu me interesse… Mas Calabrese é uma boa banda, Blitzkid teve sucesso…
O álbum “Project 1950” do Misfits, foi feito após a sua saída da banda. Mas, uma das músicas, “Monster Mash”, foi feita quando você ainda estava lá… Portanto, quando você ainda estava no Misfits, já havia algum plano para fazer um disco assim?
É uma boa pergunta. Eu vou te dar uma resposta que eu acho que ninguém nunca teve, nem nunca soube. Bom, eu ainda estava na banda, e Doyle sempre gostou dessas músicas antigas, e a gente decidiu que iria fazer um álbum duplo, com covers de algumas das maiores músicas de Rock and Roll clássico. Nós sempre pensávamos nisso, e Jerry obviamente, também sempre gostou dessas músicas, Chud também, e eu também. Portanto, a resposta é sim, nós sempre pensamos em fazer algo assim. Mas então, quando eu saí da banda, Doyle e Chud também, Jerry seguiu em frente e fez o “Project 1950” ele mesmo. Ótima pergunta!
Para encerrar, deixe por favor uma mensagem para seus fãs brasileiros.
Obrigado a todos pelo apoio, sempre, e escutem Vagabond se puderem, vai ser uma edição limitada que está vindo. Então por favor, cuidem uns dos outros, cuidem de si mesmos. Paz na Terra!
Entrevista por Alvaro Ramos e Felipe Godoy.
Agradecimento: Matthias Prill
Studio Tenda
Proximo Evento

No Banner to display