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ZOMBIE RITUAL: Resenha e fotos da edição 2012 do festival

João Gordo – Ratos de Porão fechou a primeira noite do Zoombie Ritual 2012

Rolou nos dias 14,15 e 16 de dezembro, na Fazenda Evaristo em Rio Negrinho-SC, a quinta edição do Zoombie Ritual Festival, evento que reúne um grande número de bandas de metal extremo em todas as suas variações, sem exceções. Além de uma tonelada de bandas de menor porte, digamos assim, o Zoombie sempre traz algumas atrações nacionais e internacionais de maior destaque. Desta vez não foi diferente: Ratos de Porão na sexta-feira, Vulcano no sábado e no domingo as duas grandes atrações do festival: Vital Remains e Malevolent Creation.

O Lugar

A Fazenda Evaristo é palco de muitos eventos, sejam relacionados ao rock ou não. Segundo o pessoal que trabalha por lá, a maioria são rodeios, mas tem a Psicodália, que já acontece lá há alguns anos e nestes últimos cinco anos o nosso putrefacto Zoombie Ritual. A sua estrutura é excelente, apesar de bem simples: tem muito espaço para camping, vários banheiros, todos com luz e água à vontade, inclusive água quente. Além disso tem um ótimo restaurante, uma lanchonete e bebidas a um preço que chega a emocionar, tendo em vista o que temos aqui em Curitiba. Até uma estrutura para o pessoal praticar tiroleza tem. Já estou com saudades.

Sexta-feira, 14/12 – Ritual Macabro

Chegamos no Zoombie ainda na sexta-feira 14, com um ônibus lotado de malucos, todos ávidos por uma boa sequência de pauleiras. Não foi possível assistir todas as bandas, afinal a primeira delas, chamada Bomba no Porão, tocou cerca de 18hs da tarde, horário no qual ainda nem estávamos perto de sair de Curitiba. Mas sem problemas, chegamos, cada um foi para seu lado agilizar seu acampamento e depois de tudo arrumado, ainda deu tempo de pegar na íntegra a atração principal da noite, os Ratos de Porão e na sequência o black metal argentino do Mortuorial Eclipse e ainda o Necropsya, com seu thrash trabalhado e original.

Jão, a força motriz do Ratos de Porão

Sobre os Ratos de Porão, o que posso dizer é: mais um show violento, porradaço, pesado e cheio de clássicos. Tudo feito por gente que ajudou a construir tudo isso que chamamos de underground nacional desde o início. O que são as palhetadas quebradas do único fundador ainda na ativa, o guitarrista Jão, com sua Les Paul já churriada de tanto rock! A cozinha formada por Boca e Juninho é coesa e precisa e as letras punk e o vocal raivoso de João Gordo costura tudo isso com maestria. Nunca um som foi tão tosco e ao mesmo tempo tão bem trabalhado. Mosh pits se abriam a cada clássico executado, como: Beber até Morrer (que encerrou o show), Crucificados Pelo Sistema; AIDS, Pop, Repressão; Igreja Universal e Velhus Decreptus, entre muitas outras. Rolaram também várias versões, como: O Dotadão Deve Morrer (Os Cascavelletes), Olho de Gato (Olho Seco), Commando (Ramones) e Inocentes (Medo de Morrer). Show animalesco desta que é uma das maiores bandas de pauleira que o Brasil já teve.

Após um longo intervalo, subiram no palco os equatorianos do Eutanos, banda de black metal com muitas influências de Behemoth e black metal moderno. Os caras fizeram um bom show e pegaram um público razoável, mas que já estava começando a se cansar da jornada naquela noite.

Necropsya – metal trabalhado e original

Espera terminada, subiu no paco a primeira banda curitibana desta edição do Festival, o Necropsya. Os caras estavam empolgados e fizeram um excelente show, bem enérgico e pesado. O vocalista e baixista, Henrique, sempre se comunica muito com o público, o que ajuda a aquecer bastante a apresentação. Tocaram músicas do início da banda, mas com principal destaque para as músicas do segundo e mais recente disco, Distorted (2011). Algumas músicas inéditas também foram tocadas, as quais, segundo o próprio vocalista, devem sair no terceiro disco do Necropsya, já em processo de composição.

Essa primeira noite fechou com um tributo ao mestre Ronnie James Dio, que não fez feio, mas em algumas partes vocais, deixava a desejar. Mas não se pode culpar alguém de não comseguir reproduzir com exatidão o trabalho do mestre. Resumindo: boa banda.

Sábado, 15/12 – Sequência Mortal

Krophus – Adriano mandando ver nos riffs violentos

Começamos o dia com o death metal técnico e brutal do Krophus, banda que mais tem se destacado no estilo em Santa Catarina. Os caras mandam porrada atrás de porrada, com andamentos quebrados e riffs insanos, perpetrados pelo guitar Adriano, que dispara centenas de notas sem dó nem piedade. Pancadaria certeira.

 Após algum tempo de ostracismo total, assistimos a uma boa sequência de bandas, começando pela Dominus Praelii, de Londrina-PR. Fazia alguns anos que eu não assistia um show dos caras e foi realente alucinante. Destaque total para o vocalista Jorge Bermudez, que tem uma voz impressionante! canta limpo muito bem e sabe rasgar nas horas certas, dando uma dinâmica enorme às músicas. Esse show fez parte da Keep the Metal Resistance South American Tour 2012. Grande show, uma das melhores banda de heavy metal do Brasil com certeza.

Vulcano – Metal old school que não envelhece

O Vulcano veio a seguir e os caras fizeram um show realmente matador. Colocados em um horário de destaque – na edição de 2011 os caras tocaram tão tarde que quase ninguém aguentou ver o show deles. Mas desta vez, foi simplesmente animal, meu camarada! Destaque indiscutível para o vocalista Luiz Carlos Louzada, interpreta de forma impressionante as músicas. É uma banda com qualidade indiscutível. Se não é um som técnico, é com certeza muito bem executado e principalmente muito bem composto. Música feita por quem sabe mesmo o que está fazendo e qual o resultado que quer alcançar.

Em seguida os brasilienses do Violator subiram no palco e destrincharam seu thrash metal old school. Com a velocidade no talo, os caras tocaram músicas de seus três registros já lançados: Violent Mosh, Chemical Assault e Anihillation Process. Foram apresentadas também algumas músicas que farão parte de seu novo disco, gravado na Alemanha, que se chamará Scenarios of Brutality. Entre as músicas o vocalista Poney se comunicou bastante com o público, sempre agradecendo a presença e a energia dissipada pela galera. Um dos shows mais esperados e apreciados desta edição do Festival.

Doomsday Ceremony – Shaytan e Moloch esmerilhando

O Doomsday Ceremony veio na sequência. Fazendo um excelente show como sempre e agora apresentando para o grande público seu novo guitarrista, Apophis, que entrou no lugar do  guitar Renato Rieche, os caras mandaram as músicas de seu primeiro CD, Apocalyptic Celebration (2005) e mais algumas que devem figurar em seu próximo registro. O público de Santa Catarina já conhece a banda de longa data, por isso o show foi bem agitado, com muitas pessoas cantando junto os refrães de músicas como Vampire Saga e Hell’s Fire Temple. O show foi encerrado com a faixa que deve intitular o novo disco, Black Heart. Destaque para a soleira de guitarra proporcionada pelo guitar Ciriato, que mostra boa técnica, mas muito conhecimento melódico.

Depois desse show, recolhi minha carcaça de novo para a tumba, que a canseira já estava pegando. Mas antes de pegar no sono, ainda peguei uma parte do show do Flagelador, que começou tendo muitos problemas com a afinação de seus instrumentos, entre outros

Domingo, 16/12 – Fechamento Sanguinário

Nervochaos – Death metal curto e grosso

Apesar de ainda restar uma boa sequência de bandas, o solaço que abriu fez com que a maior parte do público aproveitasse a tarde para dar uma boa relaxada pelos arredores da fazenda, que é um ótimo lugar para descansar. E depois de muita comida, bebida e tudo o mais, resolvemos curtir a trinca final do Zoombie 2012: os paulistas do Nervochaos, comandados pelo batera Edu Lane, figura ativa no underground nacional com a famigerada Tumba Produções, a qual costuma trazer para o Brasil várias bandas extremas todo ano.

O Nervochaos faz um death metal simples e sem frescuras e está divulgando atualmente seu mais recente trabalho, To The Death (2012). As novas músicas não fogem do estilão curto e grosso dos caras. A formação já não era a mesma do último show em Curitiba, mas foi um bom show e atendeu às expectativas.

Vital Remains – Fúria alucinada

Após mais de quarenta minutos, finalmente uma das atrações internacionais subiu no palco: o Vital Remains. Devo dizer que fiquei impressionado com a qualidade do som dos caras, estava realmente absurda. Foi um set longo e animalesco, com direito a diversos stage divings do vocalista Scott Willy. Nesta turnê a banda contou com o guitarrista brasileiro Bill Hudson (?????), que também toca com o vocalista Zak Stevens no Circle II Circle, ou seja duas bandas nada ver, o que destaca ainda mais o profissionalismo do cara, que por sinal esmerilha nas seis cordas. Mas falando do som, o que pudemos ver foi uma bela amostra de como se faz metal violento, com vocais dobrados entre Scott e o baixista Gator, que faz a linha gritada e com distorção, enquanto Scott destrincha nos guturais. Músicas pesadas, com muitos blast beats, mas sempre variando com partes mais cadenciadas e muitos solos e melodias de guitarra. O vocalista também agradeceu à organização do evento, devido a este ser em homenagem ao grande Chuck Schuldiner, também da Florida.

Brett Hoffmann, a voz do Malevolent Creation

Para surpresa de todos, em poucos minutos o palco estava pronto novamente para a banda que fechou a edição 2012 do Zoombie Ritual: os veteranos do grande Malevolent Creation. Essa era uma banda que eu achei que nunca veria, afinal eles ficaram muitos anos sem nenhum destaque na mídia especializada, apesar de sempre estarem lançando seus discos. E foi realmente uma chacina o show dos caras. Várias pedradas daquele death metal old school americano, que revelou também Cannibal Corpse, Obituary, entre outras. Mas é na linha do Cannibal antigo que o Malevolent caminha. Foram tocados clássicos como: Manic Demise – que abriu o show -, Slaughterhouse, Infernal Desire, Living in Fear, Coronation of Our Domain, Multiple Stab Wounds, United Hate e a música que leva o nome da banda e que também encerrou o show… Malevolent Creation! Fechamento com chave de carne apodrecida para este que é o festival mais porrada do Sul do Brasil. Longa vida ao Zoombie Ritual!

>> Veja AQUI a galeria completa de fotos do Zoombie Ritual 2012 >>

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